Polinésia Francesa – Huahine

Não há areia. Somente uma praia forrada de restos de corais. Não há ruídos desnecessários. Ouve-se apenas alguns pássaros engraçados, algumas gaivotas cuja cor contrasta com o intenso azul do céu das manhãs e bem lá longe, nos recifes, as ondas ferozes que fazem a alegria dos surfistas. Aqui na praia, o mar simplesmente murmura, como a sussurrar seus segredos ao pé do meu ouvido. Não há aromas marcantes. Dá apenas para sentir, além do intenso perfume de Tiare (flor nativa), a maresia levada pela brisa da tarde. E o mar… Que mar…

É impossível tentar descrever a quantidade de matizes que o mar do Pacífico Sul possui. São cores que vão do branco, passam pelo azul pálido, transformam-se em azul turquesa e a qualquer momento chegam num azul-marinho tão intenso que dá para entender o porquê do nome azul-marinho. E como Deus é absolutamente perfeito, o sol é capaz de alterar, de uma hora para outra, todos esses tons de azul. E o mais interessante é que esses azuis não se misturam, isto é, eles vão do mais claro ao mais escuro. De repente é um azul, alguns metros depois, outro. Não há lógica, puramente um capricho da natureza, como se ao brincar com uma aquarela, alguém resolvesse inventar azuis.

A contemplação, que sempre imaginei ser coisa de monges budistas, tornou-se essencial. Em toda minha vida, eu nunca tinha ficado em silêncio por tanto tempo. Foram quase duas horas observando o lento caminhar do sol em busca do seu merecido repouso, depois de um dia tão magnificamente iluminado. Num determinado momento, o mar torna-se prateado e o reflexo do sol parece produzir faíscas na superfície da água, incomodando terrivelmente meus olhos. Como se milhares de seres das profundezas decidissem aplaudir o espetáculo que o sol proporcionava. Impossível desviar o olhar. Quase uma hipnose. E ao melhor estilo “hollywoodiano”, um “grand finale”. Quase chego a ouvir o “tssss” que nos desenhos animados soaria pelo ar quando, finalmente, o sol toca delicadamente, o mar. Mas o tempo não para e o sol vai desaparecendo por trás da linha do horizonte. Finalmente escurece. Termina meu último dia nas ilhas.

Mas Deus ainda reservava uma surpresa. Com os olhos fechados, esperando a chegada do sono, ouço os grilos silenciarem e, um ruído diferente, a princípio desconhecido, aguça minha curiosidade. A chuva. Chegou tímida e mansa, tomando conta de todo o lugar. Por uns quinze minutos caiu forte, intensa, gostosa; lavando a alma de qualquer pecador, se é que existe algum pecador num lugar desses. E da mesma maneira que chegou, foi embora. A única lembrança que deixou, foi a maré que subiu uns… dois palmos. Minha última noite nas ilhas…

Quando morrer quero ir para o inferno, porque o paraíso eu já conheço.

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2 Comentários

Arquivado em Dicas, Suviane Hoera

2 Respostas para “Polinésia Francesa – Huahine

  1. Isabella

    Oi!! vou torcer para vc ler essa mensagem rsrs to revirando o google inteiro atras de informações sobre Huahine, mas tah difícil!! Eu vou fazer um cruzeiro pela ilhas da Polinesia e tem uma parada em Huahine. Eu não curto essas excursões para turistas oferecidas pelo navio, tipo picnic em motu, fazenda e baunilha e tal. Meu plano é passar o dia igual iguana em uma praia tranquila. Ai que eu chego na grande questão!! Quais praias são públicas em Huahine e como chegar a elas?? Eu vi várias fotos de Avea Bay/Beach mas não consigo descobrir se ela é pública e se tem como alugar um carro e simplesmente dirigir até la. Também gostaria de saber se a praia próxima ao hotel Sofitel Heiva tem acesso. Cruzo os dedos para receber resposta rs. Obrigada!!

    • Oi, Isabella! Não sei se as informações que vou dar são muito pertinentes porque estive em Huahine há 15 anos. Acredito que vc vá perder muito em fazer um cruzeiro – meus pais fizeram e não foi tão legal como a viagem que eu fiz. Passei 4 dias em Huahine fazendo exatamente o que vc quer fazer. Fiquei lagartixando… Passeamos por toda a ilha de bicicleta – há pouquíssimos carros por lá. Os hotéis maiores possuem suas próprias praias, mas as das pequenas pousadas são livres, inclusive é bacana porque dá para comer uns petiscos e bebericar até uma caipirosca (Antoine Spècialitè – desculpe, meu francês é péssimo e não sei se é assim que se escreve). Fiquei no Relais Mahana (naquela época não havia wi-fi e outras comodidades), que não é um mega hotel mas, para mim, foi o mais gostoso de todas as ilhas que visitei. As crianças da redondezas – nativos, vieram confraternizar conosco e até aprendi um pouco de francês. Por isso, penso que essa praia seja pública. Se houver a possibilidade, melhor ficar 3 ou 4 dias em cada ilha porque ter que voltar ao navio no final da tarde pode ser frustante. Aproveite para fazer snorkel – isso é imperdível! Creio que, se vc optar pelo navio, eles possam te dar a opção de simplesmente “morgar” na praia do hotel com o qual eles devem ter algum convênio. Não esqueça de levar um sapatinho plástico tipo melissa porque é impossível andar descalça (vc certamente vai cortar os pés). Meu marido costuma dizer que em toda nossa vida de casados foi o único lugar que fiquei quieta por mais de 15 minutos. Tudo isso para assistir ao pôr-do-sol! O melhor período é de setembro a novembro. Todos os dias de sol com uma deliciosa brisa. Meus pais foram em maio e foram presenteados com céu cinzento e muito vento. Espero que eu tenha te ajudado um pouquinho… Aproveite e boa viagem! Bj

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