Tempo de escolher

 

Acerte na festa, mas não se esqueça de que ela é apenas o primeiro capítulo de uma história feliz.

Outro dia um casal que tinha começado a namorar dois meses antes mandou-me um e-mail pedindo uma agenda para os preparativos do casamento dali… a 2 anos. Surpresa? Nem tanto, se eles moram em São Paulo e pretendem se casar numa igreja e bufê bem concorridos, é preciso entrar na fila!

Sabendo que é difícil poder se casar naquele dia e naquele horário que escolheram, vão com bastante antecedência! Se não conseguem, avisam logo os amigos para que marquem com mais antecedência ainda! Cria-se um círculo vicioso: cada vez se começa mais cedo, cada vez é necessário começar mais cedo…

Há igrejas que você tem de reservar horário um ano e meio, dois anos antes, bufês idem.

Isso funciona bem para o planejamento, mas será que é bom do ponto de vista do relacionamento do casal?

A partir da marcação do casamento, seja um ano e meio antes, sejam dois, é aquela empolgação! Os noivos, principalmente a noiva, se apaixonam… pelo casamento. E como a igreja está escolhida, como já se começou a pagar o bufê, começa-se a contratar todos os outros serviços.

Financeiramente, vale mesmo a pena: negociam-se os preços e os prazos, os pagamentos são programados numa espécie de poupança compulsória.

E do ponto de vista pessoal, será que algumas certezas não deveriam preceder essa preparação? Certeza do amor, certeza da vontade de formar uma família…

Quando os jovens deviam estar “discutindo a relação”, voltados para si mesmos e para o conhecimento do outro, degustando a situação nova que é encontrar  um ser para caminhar junto, dividindo bons e maus momentos, estão voltados para fora, focados na preparação de um complexo evento social.

Como é que pode alguém que namora alguém há apenas dois meses saber se vai querer ou não querer se casar com ele (ela) dali a 2 anos?

O que acaba acontecendo muitas vezes é o “já que’: já que a igreja está reservada, vamos reservar o bufê, já que o bufê, a música e o foto e vídeo foram definidos, vamos nos casar, embora não se avalie se há amor, compreensão, respeito, tolerância, que são os alicerces de qualquer união que se quer duradoura… O pensamento que existe, até verbalizado às vezes, é: se não der certo, a gente se separa…

E as famílias, que poderiam orientar nesse momento, estão também tão envolvidas,  que acabam impedindo qualquer  retrocesso: ninguém se pergunta sobre a profundidade dos sentimentos deles, mas o que preocupa são as parcelas que já foram pagas e com o que os amigos vão dizer se não houver mais casamento.

Por isso é que se ouve falar de tantas uniões que não chegaram nem às bodas de algodão!

É muito importante que nos relacionamentos não se queimem etapas: há um tempo pra se observar, há um tempo para se aproximar e se conhecer, há um tempo pra se unir. Os relacionamentos, como os bons vinhos, exigem maturação (além de maturidade).

Para muitos, isso pode parecer fora de moda, nada a ver com a velocidade da vida moderna, quando não mais se paquera, se fica, quando não mais se namora, se está de rolo, quando se vai pra cama sem sentimentos e sem muitas vezes até sem saber o nome completo do parceiro ou da parceira.

Para ser sincera, quando falo sobre o assunto, não me preocupo em ser moderna, embora também não pretenda ser dona da verdade. Mas se alguma coisa boa se adquire com o passar dos anos é uma visão mais abrangente das coisas da vida.

Celebrar o encontro, partilhar a felicidade que se está vivendo com parentes, com amigos é uma coisa maravilhosa! Que cada casal faça desse acontecimento algo muito especial!

Que cada um prepare a melhor festa, que ofereça a seus convidados as melhores comidas, as melhores bebidas, no melhor local que puder, usando os trajes mais ricos! Que as famílias se cotizem para ajudar no que puderem, para colaborar com os noivos em todos os momentos. Que os amigos compareçam… com a presença e com os presentes. Que a cada etapa da preparação se celebre a comunhão e a vida

E para que tudo saia como deve, que se programe, sim, o casamento com a antecedência necessária, oito meses, um ano, depois de “oficializado” o noivado.

Estabelecer o “quando” com a devida antecedência, escolher e preparar o “onde” do melhor modo possível. Tudo isso é super importante, mas nada supera o “com quem”. Que só pode ser definido com uma convivência rica, com amadurecimento a dois.

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Arquivado em Élide Helzel, Dicas

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